Autismo e Inclusão Escolar: A adaptação de material

https://www.comportese.com/2017/11/autismo-e-inclusao-escolar-adaptacao-de-material

 Há uns 3 anos atrás publiquei nesta coluna 3 artigos seguidos sobre inclusão escolar de crianças diagnosticadas com TEA (Transtornos do Espectro do Autismo). Porém, agora, sinto novamente a necessidade de escrever sobre isso, mas focando particularmente na adaptação do material acadêmico. Acompanhando minha colega Sônia Lucca (psicopedagoga) nas consultorias dos clientes da Gradual, tenho visto o quanto as escolas, os ATs (acompanhantes terapêuticos) e as famílias precisam de orientação sobre como tornar as atividades acadêmicas mais atrativas, motivadoras e adequadas ao nível acadêmico da criança. Por isso, vou resumir aqui algumas idéias de adaptação de material que temos orientado, testado e comprovado a eficácia no processo de aprendizagem.

Antes disso, vamos retomar alguns princípios da inclusão escolar segundo o viés da Análise do Comportamento. Como já dito muitas vezes nesta coluna, todo indivíduo é único, afinal, seus comportamentos são determinados pela junção de variáveis genéticas, culturais e de sua história de vida que selecionou determinados comportamentos. Assim, o processo de aprendizagem de cada indivíduo também é único. Toda criança ou adolescente aprende cada um à sua maneira, por isso defendemos um programa individualizado de ensino. As crianças com necessidades especiais têm o direito de estar na escola e, também, de serem eficientemente atendidas por ela. Isso pode exigir uma revisão da estrutura da escola. O processo de inclusão na escola pode atingir melhores resultados quando seus profissionais são instrumentalizados sobre “como fazer”.

A primeira regra para começar este processo é considerar o repertório de entrada do aluno, ou seja, o programa não pode ser igual para todos, deve ser planejado com base no que o aluno já faz, no que ainda não consegue, em suas deficiências e em como ele aprende. É preciso, então, respeitar o ritmo próprio do aluno e garantir critérios de aprendizagem para avançar na programação sem criar defasagens pedagógicas. Para isso, muitas vezes a criança com TEA precisa de um ambiente de ensino individualizado dentro da escola, por exemplo, salas de recursos com atividades que permitem a criança fazer escolhas sobre a ordem, tipo e quantidade das tarefas, bem como tornem possível a execução de atividades mais concretas e lúdicas.


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